Resumão da semana traz favoritos CREC e Galo outra vez tropeçando e Jacaré dando o bote no Pantanal 'em chamas'
Tidos como favoritos antes do início do Estadual 2026, Costa Rica, Operário e Pantanal SAF seguem acumulando tropeços no campeonato e, de certa forma, decepcionando seus torcedores. Nesse resumão da semana, vamos abordar a quarta e quinta rodada do Sul-mato-grossense, apontando quem se deu bem e quem se deu mal em uma semana marcada por oito empates em 1 a 1 dos dez jogos disputados.
Começando pela ponta de cima da tabela, o Operário continua líder com 12 pontos, mas ao somar meros dois pontos dos seis disputados no período mostra que mesmo diante de todo o investimento feito para a temporada 2026, há muito a evoluir tanto defensivamente como ofensivamente. O largo saldo de gols (8) e a invencibilidade no campeonato não podem mascarar tais problemas.
Se diante do Águia Negra na quinta-feira (5) nas Moreninhas o Galo arrancou um empate perto do fim da partida, tendo Lauder vindo do banco como herói, em Dourados o time deixou a vitória escapar no acréscimos diante do DAC, sendo Lauder um 'vilão', já que entrou na etapa final e pouco depois foi expulso. Nas duas partidas, o Operário manteve um padrão: posse de bola e proposição de jogo.
Dentro e fora de casa o Galo segue preferindo buscar o jogo, impondo seu modelo diante dos adversários. Contudo, vem encontrando cada vez defesas bem armadas e que dificultam seu jogo. Com movimentação insuficiente na frente, o time não consegue infiltrar 'por baixo', dependendo dos avanços dos laterais Reinaldo e Biteco para, pelos lados, tentarem mudar o rumo do jogo com cruzamentos.
Eis aí um problema crônico ofensivo do Galo: o time por vocação não faz um jogo de paciência, rodando bola e tentando atrair a defesa adversária e encontrar espaços.
A ansiedade de torcedores coincide com a dos jogadores, que acabam apostando em bolas alçadas pouco aproveitadas por um setor ofensivo de baixa estatura.
Se no meio da semana Rodrigo Cascca deu aula tática para superar o Operário, o panorama foi diferente no Douradão, mas o alvinegro pagou caro por não matar o jogo o quanto antes.
Fora isso, na defesa o time enfrenta problemas de cobertura. Com os jogadores mais avançados centralizados na grande área e os laterais subindo para serem os passadores/cruzadores pelas pontas, o cabeça-de-área Jonas e a dupla de zaga ficam sobrecarregados diante de adversários que estão preparados para ocupar tais espaços em velozes contragolpes, fora ou dentro de casa.
CREC e DAC, cadê o futebol?
Já no interior, Costa Rica e Dourados apesar de toda expectativa apresentam até aqui desempenho aquém do esperado. Tudo, absolutamente tudo, precisa melhorar. Em especial no Costa Rica, treinado pelo atual bicampeão Leocir Dall'Astra, dois empates em casa com gols na parte final da partida deixam o torcedor com a pulga atrás da orelha e com a sensação que falta fôlego para os 90 minutos.
Em Dourados, o time vem contando com a sorte e erros de arbitragem para somar pontos e se assegurar longe da briga contra o rebaixamento, apesar do futebol apresentado beirar a isso. Hoje, diante do Operário, tirou um empate da cartola e levou um gol em contra-ataque, definitivamente quesito que passa longe de ser a especialidade do clube administrado pela família Maluf.
O contraponto até aqui é a equipe do Naviraiense, o Jacaré do Conesul que se fingiu de morto mas veio pronto para dar o bote nos adversários. Atual vice-líder do campeonato, tem dois pontos a menos que o Operário, mas um jogo disputado a menos. Assim como o líder, tem aproveitamento de 66,7% - três vitórias, um empate e uma derrota, contra três vitórias e três empates do Operário.
Pantanal 'em chamas', e com preguiça - segundo o treinador
O cenário perfeito para o Naviraiense 'dar o bote' é um Pantanal fragilizado, "em chamas". No meio de semana, a primeira SAF de Mato Grosso do Sul até se apresentou razoavelmente bem, mas mesmo assim não fez o suficiente para bater o Corumbaense em Campo Grande. O 1 a 1 no placar mostrou um time com vários pontos fracos a serem corrigidos se quiser mesmo brigar pelo título.
Porém, no fim de semana a coisa desandou de vez: totalmente dominado pelo visitante de Naviraí, o Pantanal SAF não segurou a pressão inicial e levou um gol antes dos 5 minutos. Nos 25 minutos seguintes, até teve a bola, mas foi inócuo na criação, apenas cedendo espaços cruciais para o adversário encaixar transições muito rápidas nos contra-ataques.
Para piorar, dos 30 minutos de bola rolando em diante o Naviraiense subiu suas linhas e passou a propor o jogo e fazer o que bem quis.
Assim, os donos da casa terminaram o primeiro tempo com o placar desfavorável de 2 a 0. No vestiário, Glauber Caldas teve muito trabalho, mas conseguiu corrigir a rota.
A volta para o segundo tempo mostrou um Pantanal com um meio-campo mais fortalecido e o time todo com bastante movimentação, conseguindo criar principalmente pela direita com os avanços do lateral Maicon e os deslocamentos do atacante Corona.
Foi assim que o time descontou de pênalti, após Corona ser derrubado dentro da grande área. Depois, em um forte chute de Mateus Silva, a bol desviou no zagueiro Formigão e a SAF chegou a um batalhado empate.
Contudo, o que ninguém contava era com um Naviraiense ainda capaz de reagir e, no último minuto, conseguindo um escanteio onde o goleiro Rhuan errou ao tentar afastar a bola e acabar a socando para baixo. A bola passou e sobrou para Eduardo Brito decretar a vitória dos visitantes.
Confusão!
Ao final da partida, os bastidores do Pantanal pegaram fogo. Ainda no campo, Rhuan foi tirar satisfação com torcedor no alambrado. Nos vestiários, muita gritaria e briga, com o goleiro que a pouco falhou partindo para cima do atacante Pedro Neto, que sequer entrou em jogo. A informação da confusão é do repórter Lucas Ferreira, da rádio Esporte MS. Mais uma vez a turma do deixa disso 'segurou a onda'.
Aos microfones da mesma Esporte MS, o treinador Glauber Caldas foi sucinto e direto: apontou preguiça e falta de vontade do time, mas ignorou qualquer questão sistêmica de responsabilidade da comissão técnica ou da diretoria. A fala de Glauber foi ratificada pelo diretoria posteriormente, mas em tom mais moderado, assim como foi dada a resposta pelo capitão Junior Henrique. Ele negou que faltou vontade e sobrou preguiça, e sem aprofundar destacou que talvez faltasse organização ao time.
Depois de tanta celeuma, já na saída do estádio uma situação curiosa: mesmo uniformizados com as camisas de viagem, Junior Henrique, Pedro Neto e mais dois atletas optaram irem embora de Uber, ao invés de seguir no ônibus com os demais. Antes disso, uma passada na vendinha em frente ao estádio para comprar uma água com gás e quatro garrafas de Heineken, refrescando as ideias...
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