Marco Tavares, o 'dono da bola' em MS, apronta mais uma das suas e cria problemão no Estadual; por que ele segue na FFMS?
A decisão da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) de começar o Estadual 2026 mais tarde e 'encavalar' o calendário local com intervalos de no máximo três dias entre as rodadas causou insatisfação em muita gente e foi bastante criticado no início do ano. Contudo, como se problema fosse pouco, a Federação caçou sarna para se coçar e, claro, achou fácil, fácil nesse fim de primeira fase.
O protagonista da lambança foi - mais uma vez - ele, o cartola que se comporta como o legítimo 'dono da bola' e faz o que bem entende com os desorganizados campeonatos locais: Marco Antônio Tavares. Mesmo tendo todo o tempo de se programar e várias possibilidades para evitar tal situação, nada foi feito antes da elaboração e divulgação da tabela, e nada foi feito também depois. Desleixo total!
A celeuma: Campo Grande conta com apenas um estádio, mas Operário e Pantanal constam como mandantes na rodada que vai encerrar a primeira fase. O problema é que os jogos da última rodada devem ser jogados todos simultaneamente. Isso mesmo, no mesmo dia e horário. Mas, como já sabemos, é impossível dois jogos ocorrerem no mesmo estádio simultaneamente...
Marcada para 1º de março, a 9ª rodada terá os duelos Pantanal x Ivinhema, e Operário x Bataguassu, além de Dourados x Aquidauana, Águia Negra x Naviraiense, e Costa Rica x Corumbaense. Diante do impasse, foi convocada reunião na sede da FFMS com os clubes para decidir a questão.
Eis que no encontro ninguém quis arredar o pé e ceder para o adversário. A solução encontrada por Tavares, diretor de Competições, foi um sorteio. Porém, a ideia foi frontalmente recusada pelo Operário, solenemente ignorado e obrigado a participar de um sorteio que no final o prejudicou. O Pantanal SAF venceu e poderá jogar em casa, enquanto o Galo terá que procurar outra casa na 9ª rodada.
Situação pode ser judicializada, afirma gestor do Galo
"Essa decisão vai frontalmente contra os princípios da lisura e da transparência do campeonato e do próprio futebol sul-mato-grossense", dispara o gestor do Operário e responsável pela transição da associação para SAF, Ivando Maluf. Ele concedeu entrevista ao portal Capital News e seguiu sua crítica. "Qualquer tentativa de alterar ou retirar o nosso mando justamente na última rodada beira a indecência e afronta o equilíbrio esportivo. Se tiver que judicializar, iremos fazer".
Já Tavares, no site oficial da FFMS, justificou que a situação estava prevista desde o conselho arbitral, assim como a necessidade desse sorteio para definir a última rodada. "No arbitral [antes do campeonato começar e da tabela ser divulgada] houve um sorteio das equipes, cada uma com um número, para definir a ordem das partidas. Coincidiu de a última rodada, que deve definir tanto classificados quanto rebaixados, ter dois jogos em Campo Grande. Agora isso foi resolvido por sorteio".
Caso seja oficializada, a decisão irá causar grande prejuízo para o Operário. O clube possui plano de sócio-torcedor robusto e com demanda contínua por ingressos nos jogos como mandante, em Campo Grande. A mudança cria uma divergência clara nessa relação comercial com torcedores, e mexe com toda a logística do clube de forma direta. Vale lembrar que o Galo abdicou do repasse governamental para custeio logístico neste ano justamente por ter uma programação própria.
O que todos querem saber
Além das discussões sobre mais um problema a ser solucionado, uma questão precisa ser respondida por Estevão Petrallás no comando da FFMS: por que tanta paciência com os erros de Marco Tavares e até quando teremos que suportar isso? As situações criadas pelo cartola, sobrevivente da gestão Francisco Cezário, são rotineiras e geram insegurança jurídica que afastam possíveis investimentos mais robustos no futebol local, além da manutenção do reputação ruim da modalidade no Estado.
Fora isso, tais situações arremetem ao velho ditado 'criar dificuldades para vender facilidades', algo que está ligado intimamente a arquitetação de más gestões. Um exemplo foi a obrigatoriedade de formação específica de treinador de futebol para atuar como tal no Estadual. A FFMS impôs tal condição e terceirizou o curso para a empresa M Tavares, pertencente ao diretor de Competições.
Vale lembrar que Tavares era vice em exercício de Cezário e segue como réu da Operação Cartão Vermelho, que derrubou o ex-mandatário do cargo. A empresa M Tavares é investigada por ser usada em esquema de desvio de recursos, tendo como partícipe seu filho, Marcos Abdalla - que também era funcionário da FFMS, mas acabou sendo demitido diante da Operação e de pressão de clubes e até cronistas esportivos, insatisfeitos com sua atuação dentro da entidade e durante os jogos.
Apesar da 'ficha corrida' - problemas com a Justiça e erros em sequência na gestão esportiva - Tavares segue firme no cargo de diretor de Competições. Em 2024, ao Campo Grande News, Estevão defendeu a permanência da Tavares ali. "Eu não tenho o papel de justiceiro e nem de punir alguém que está no momento de se mostrar inocente ou culpado. Não estamos no luxo de escolher qual dirigente pode estar ou não aqui. Até que se prove o contrário, ele é inocente".
Será que a paciência de Estevão Petrallás segue incólume diante de tanta lambança? Qual o segredo de Tavares para permanecer à frente de um posto ao qual já provou não ter condições de ocupar? Ou qual segredo ele guarda que o faz seguir em cargo de tamanha importância? Essas são questões que, por ora, não temos respostas, mas esperamos ter em breve. Aguardemos os próximos capítulos...
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FOTO: Divulgação/Montagem IA

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