Negligente, Corumbaense coloca segurança do Arthur Marinho em xeque: MP deve agir para interditar o estádio?

O que começou com ingressos ilegalmente reaproveitados em Corumbá para o duelo de ida da semifinal entre Corumbaens e Operário terminou pior do que se previa: público visivelmente acima do informado no boletim financeiro e da capacidade oficial do estádio, isolamento entre torcedores locais e visitantes feito por apenas dois cordões e quatro guardas municipais, colocando em risco os torcedores que posteriormente sofreram apedrejamento, e até foguetório disparado contra arbitragem.

A lista de incidentes perigosos na partida que terminou com a vitória operariana por 2 a 1 no domingo (15) é grande e o citado acima faz apenas parte de N questões passíveis de punição para o Corumbaense e sua torcida, com perda de mando de campo e até interdição do estádio Arthur Marinho.

Toda essa situação ocorre por um único e exclusivo motivo: negligência da diretoria Corumbaense, liderada pelo presidente João Luiz Ribeiro, popularmente conhecido como Kiko - ele próprio invadiu o campo e de forma exaltada foi tirar satisfação com a arbitragem após a derrota.

A permissividade dos dirigentes e autoridades que deveriam zelar pelo cumprimento de regras em Corumbá é um fato notório em Mato Grosso do Sul, mas que precisa ser controlado antes que alguma tragédia aconteça. Dessa forma, é fundamental que torcedores e dirigentes de times visitantes denunciem oficialmente as situações ali vividas para que, assim, consigam mudar algo.

Com relatos concretos em mãos, restam poucas desculpas para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) seguir de olhos vendados para o que ocorre em solo corumbaense, e que os responsáveis por promoverem essa desorganização total sejam punidos como devem.

Súmula e torcedores relatam agressões diversas


Devidamente documentado pela arbitragem na súmula da partida, o bandeirinha Luiz Fernando Colete foi alvo de torcedores que estavam no muro atrás de um dos gols, indevidamente. Eles atiraram fogos de artifício contra Colete, que por pouco não foi atingido. A torcida nas arquibancadas também atirou latas de cerveja cheias em direção à Colete, ainda com a bola rolando no segundo tempo, além de duas pedradas terem sido atiradas pelos que estavam atrás do gol.

Já o outro assistente, Luiz Felipe de Oliveira foi alvo do auxiliar do Corumbaense, Lucas Menezes, que atirou água de uma garrafa em suas costas, o xingando várias vezes e ainda desferindo um tapa no rosto do árbitro auxiliar. O relato da arbitragem ainda fala sobre a invasão do gramado feita por Kiko, que gritava que iria "fuder com a equipe de arbitragem" e que "iriam conhecer quem era ele".

Enquanto isso, os torcedores operarianos presentes no estádio, em baixo número e em apenas um ônibus alugado, ficou separada dos demais adeptos corumbaenses por apenas quatro guardas municipais e duas cordas. Além disso, pedras foram atiradas contra os torcedores e nada foi feito pela segurança. Na saída, houve tentativa de invasão da área ocupada pelos operarianos, e arremesso de mais pedras. 

Já fora do estádio, ocorreram emboscadas de corumbaenses ao ônibus operariano, sendo que três partes do parabrisa do veículo foram quebrados por pedradas mesmo sob escolta da PM (Polícia Militar), que mais uma vez nada fez para conter os agressores locais.

Antes, na entrada do Arthur Marinho, a organização do duelo já tinha colocado vários empecilhos para a torcida operariana, como tentar impedir a entrada do ônibus em local mais seguro do estádio, e tentar fazer com que operarianos e corumbaenses usassem o mesmo portão de entrada.

Ingressos irregulares e não cumprimento de itens para liberar estádio

Pedras e demais objetos perigosos no estádio e seu entorno já tinham sido observadas no laudo que aprovou a liberação com ressalvas do Arthur Marinho. O documento da PM indica, por exemplo, que seria necessário antes de todos os jogos a eliminação desses objetos, o que claramente não ocorreu.

Já no documento da Vigilância Sanitária foram feitas várias exigências para que o local fosse liberado, entre elas a manutenção da limpeza dos banheiros, com pleno fornecimento de água. Contudo, essas exigências não foram cumpridas e a situação é caótica no estádio.

Outra questão que fere a legislação vigente é a de reutilização de ingressos de partida anterior, conforme denunciou o cronista esportivo Thiago Lopes de Faria. Na ocasião, ele usou imagem postada pelo próprio Corumbaense em suas redes sociais, mostrando ingressos rasurados do duelo entre Corumbaense e Operário na primeira fase, corrigidos com carimbos para a semifinal.

Tal prática é ilegal, já que os ingressos não podem conter alterações da forma como ali estavam, além de estarem com o número de série desatualizado - estes são a forma como os torcedores podem acionar o seguro obrigatório que é contratado por quem recebe jogos de futebol profissional. Ainda existe forte suspeita de que a capacidade máxima de 2,5 mil torcedores vem sendo ignorada pela diretoria do Corumbaense, aproveitando-se da complacência de FFMS, forças de segurança e MPMS.


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