Perfil motivador e 10 anos fora: Paulinho Rezende retorna ao futebol profissional com a missão de mexer com o brio do Pantanal SAF

Três treinadores caíram na véspera dessa última e decisiva rodada do Estadual 2026 para os clubes que brigam contra o rebaixamento: o vice-lanterna Costa Rica demitiu o atual bicampeão Leocir Dall'Astra, o Pantanal optou por afastar Glauber Caldas do cargo, e o lanterna Águia Negra perdeu o também bicampeão Rodrigo Cascca após "divergências ideológicas" do técnico com elenco, comissão técnica e diretoria.

Três treinadores baladados no início da temporada e que, após a oitava e penúltima rodada, se viram em situação complicada. Com elenco mais fraco, o gerente de futebol Jean Kleber será o substituído de Cascca, enquanto o tido como favorito Costa Rica apostou no treinador de goleiros Betinho Freitas para essa última rodada. Além disso, o prefeito Delegado Cleverson visitou o elenco nessa semana para cobrar e motivar os atletas.

Já em Campo Grande, o Pantanal SAF buscou uma solução de fora de casa, mas que até pouco tempo estava 'rondando' sua área: é o experiente Paulinho Rezende, treinador que fez sucesso no futebol local entre a segunda metade dos anos 2000 e toda a década de 2010. Seu último trabalho no profissional foi em 2016, quando foi vice-campeão com o Comercial. Desde então, Paulinho vem se dedicando às categorias de base, em diversas equipes.

Com perfil motivador, a principal missão de Paulinho é devolver o brio aos atletas do Pantanal. De acordo com o radialista Matheus Regis, da Esporte MS, ao final da derrota por 2 a 0 para o Aquidauana, atleta que exerce liderança dentro da equipe relatou total descrédito quanto a qualquer possibilidade de brigar por título e até mesmo por vaga no G6, sendo o rebaixamento uma probabilidade não descartada internamente pelos jogadores.

"Não é fácil o momento, conturbardo, mas é um elenco com qualidade, que tem empenho e estrutura, e ainda temos a oportunidade de revertar essa situação. A parte mental é importante", frisa Rezende ao ser apresentado. "Temos um adversário difícil pela frente [Ivinhema, domingo, nas Moreninhas], mas vamos buscar o resultado para conseguir a classificação", concluiu o novo treinador.

Pelo discurso, Paulinho almeja não apenas fugir do rebaixamento, mas também quer beliscar uma vaga nas quartas de final, situação matematicamente possível, mas que depende não só de si e também de outros resultados. Antes, o panorama apresentado por Glauber era de fuga do rebaixamento.

"As coisas não tem encaixado, e claro que o foco é não cair, é a realidade. Tivemos atletas que chegaram e tiveram dificuldade de se adaptar ao Estado [modelo de jogo empregado], enfim, não tem algo definitivo que eu pudesse fazer e fosse mudar essa situação. O que precisamos agora é resolver ter vergonha na cara e se fechar para tentar recuperar o ano", explicou Glauber após a derrota para o Aquidauana, antes de ser afastado - ele segue no clube, mas em função ainda não definida.

Desconfiança

Além de motivar um elenco desacreditado, Paulinho terá como missão em apenas quatro dias de preparação e um jogo, no domingo (1º), provar para muitos críticas que ainda é capaz de conduzir um elenco profissional. Nos 10 anos que passou longe de categorias principais, Rezende foi técnico das escolinhas da prefeitura de Campo Grande, no período que Marquinhos Trad foi prefeito, e assumiu ainda cargos gerenciais externos (como gerenciamento de parques, praças) na Funesp.

Com a mudança do comando da prefeitura, Paulinho foi exonerado e viu nas escolinhas das equipes locais uma opção. Mais recentemente, ele esteve à frente da base do futebol de campo da Academia do Palmeiras em Campo Grande e do Pelezinho, dois parceiros do Pantanal SAF. 

Contudo, uma inesperada demissão o colocou novamente no mercado, justamente após ele dar declações públicas de que buscava o retorno para o futebol profissional, tendo inclusive feito o curso de formação de treinadores da FFMS, o que o habilitou a retomar a carreira nesse nível.

Desempregado, ele foi anunciado como treinador das categorias de base do Operário pela empresa gestora IM Global Sports, que faz toda a transição para SAF do clube. Mesmo assim, poucos meses depois, Rezende reaparece para tentar salvar o Pantanal do rebaixamento.

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